Palavra
falada desaparece com certa facilidade; palavra escrita
pode permanecer. Esta palavra é sempre dom de Deus
que não deve ser usada aleatoriamente, desprovida
de algo que constrói. Ela é facultada apenas
aos seres humanos que trazem a marca registrada do próprio
Criador. Não se pode furtar da obrigação
na utilização segura desta palavra, principalmente
hoje, através dos meios fascinantes de novas técnicas.
Nesta
página inicial que abre o Site de nossa Escola
Diaconal é forçoso reportar, embora com
certa brevidade, do caminho percorrido até aqui.
Era o ano de 1965. A Igreja realizava, sob à vigilância
sempre atenta do Espírito Santo, o Concilio Vaticano
II. Na quarta Sessão a restauração
do Diaconato na Igreja foi analisada para ser aprovada
em 15 de novembro deste mesmo ano na Quinta Sessão
do Concílio, na Sétima Assembléia
Geral Extraordinária. A Igreja de Jesus Cristo,
nossa querida Igreja Católica, recomeçava
a escrever esta página cheia de ternura, interrompida
quinze séculos passados. Como se tratava de algo
novo e o novo nem sempre é assumido ou até
visto com certa cautela e desconfiança, o assunto
percorreu um caminho longo até chegar à
Arquidiocese de Niterói.
Dom
Carlos Alberto, ao assumir o governo Arquidiocesano, manifestou
logo o desejo de se implantar Diaconato Permanente na
Arquidiocese. Eu, Monsenhor João Alves Guedes,
então coordenador geral de Pastoral, fez uma carta
de consulta ao clero sobre a viabilidade ou não
de se implantar a formação diaconal. A resposta
do clero foi bastante acanhada. Poucos meses depois apareceu
a idéia de se realizar um Sínodo na comemoração
do centenário de criação da Arquidiocese.
Depois dos trabalhos preparatórios o Sínodo
aconteceu em onze sessões de 1993 a 1994 que aprovou,
através da autoridade do então Arcebispo
Dom Carlos Alberto, o Documento Sinodal que determinou,
na página 63, nº 93, o seguinte: “Instaurar
o Diaconato Permanente na Arquidiocese”. Imediatamente
começou-se o trabalho de seleção
para possíveis aspirantes à sagrada ordem
diaconal. Neste trabalho pude contar com a colaboração
dos padres Cássio, Tarcísio e Manuel, onde
dávamos formação nos sábados
ajudados pelo Instituto de Formação Estrela
da Evangelização. Em 16 de dezembro de 2000,
quando o Arcebispo completava 25 anos de ordenação
Episcopal, foram ordenados os dezessete primeiros Diáconos,
no Estádio do Caio Martins. Nesta data a Igreja
que está em Niterói começava escrever
uma nova página bastante amadurecida com a primeira
comunidade diaconal. Pensava-se inaugurar logo uma escola
para a formação dos futuros diáconos.
Não foi assim: somente dois anos depois, Dom Carlos
Alberto encarregou a Monsenhor Guedes para retomar os
trabalhos. Começamos a elaborar o Estatuto com
a preciosa colaboração de alguns diáconos.
Parecia que a Escola Diaconal estava pronta para nascer
no inicio de 2003. Não era assim que o Senhor determinou:
o Arcebispo caiu enfermo nos meados do mês de janeiro
e no dia da festa da Apresentação do Senhor
a Arquidiocese se tornou sede vacante com o falecimento
de Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro. Todos os
projetos foram suspensos; não as esperanças.
Em 24 de novembro do mesmo ano tomava posse, como Arcebispo
de Niterói, Dom Frei Alano Maria Pena que convocou
a mim e os Diáconos Reginel, José Carlos
e Luiz Carlos para um encontro. Naquela ocasião
entregamos o Estatuto, toda a elaboração
do curso com as disciplinas, sugestões de local
de funcionamento da Escola, os dias e horas das aulas.
Dois dias depois o Senhor Arcebispo telefonou-me dizendo:
“gostei de tudo o que li, vi e ouvi; comece logo
a Escola Diaconal”. E foi assim que no dia 03 de
agosto de 2004 nascia a Escola Diaconal Maria Auxiliadora.
Em breve teremos a ordenação de vários
de nossos candidatos e então se verificará
concretamente que a Igreja que está em Niterói
apresentará um amadurecimento maior nestes seus
cento e quinze anos de existência.